terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando li esse texto me identifiquei bastante e tenho certeza que você também se identificará, pois enquanto houver indgnação diante da falta de ética e respeito haverá esperança de um mundo melhor.
Por isso leia mesmo que seja "só de sacanagem".
Patrícia Isabella

Só de Sacanagem

Ana Carolina

Composição: Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

domingo, 4 de abril de 2010

No silêncio percebemos algo que muitas vezes nos parece imperceptível.
Patrícia Isabella
Gravatá abril 2009

ESCUTATÓRIA ( Rubem Alves)

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.

Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:
Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.

É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade:

A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...

Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...

E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

No fundo, somos os mais bonitos...



Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.
Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.

Há um longo, longo silêncio.

Vejam a semelhança...
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...

Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.

Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...

Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.

Na verdade, não ouvi o que você falou.

Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.

Falo como se você não tivesse falado.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.

É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.

E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...

Que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

domingo, 14 de março de 2010

Construção familiar, uma tarefa permanente




Diante do mundo globalizado em que vivemos, acreditar na família torna-se, para algumas pessoas, algo utópico; para outras, algo que pode ser real, apesar de desafiador, pois enfrentamos, todos os dias, obstáculos que podem ser encontrados no cotidiano, tais como a riqueza técnica e a pobreza moral. A primeira marca o mundo através de seus extraordinários avanços da ciência e da tecnologia, como os estudos sobre Marte, a clonagem, as descobertas sobre as células-tronco, o transplante de órgãos, etc. Na segunda, observamos o desprezo pelos valores morais.


Encontramos a família ladeada por esses obstáculos citados. A educação tornou-se algo de conquista, tarefa bem mais ampla do que imaginamos, pois, quando amamos alguém, queremos o melhor para ele; com certeza, um mundo diferente deste que nós vemos. Então, para termos um ambiente harmonioso, temos de começar em casa, formando cidadãos conscientes, críticos, éticos, solidários.


Para obtermos uma construção familiar como queremos, precisamos nos deter em três pontos que servirão como alicerces para uma convivência familiar harmoniosa:


O amor – No lar, os filhos devem ter segurança do amor dos pais, para se sentirem importantes e, assim, terem credibilidade do seu valor como pessoa, pois a auto-estima consiste na valorização do ser humano. Assim, também como o amor entre o casal, os filhos devem sentir que os pais se amam, caso morem juntos, ou, se não morarem juntos, que se respeitam, pois existe alguém que vai ligá-los para o resto da vida, já que não existe “Ex-pai”, “ex-mãe” e “ex-filho”. O clima harmonioso facilita uma boa educação, pois nele residem o diálogo e o respeito.


O desenvolvimento das potencialidades positivas, ou seja, os valores morais – A forma mais eficaz de educar é através do exemplo, pois a criança se espelha nas atitudes dos pais. Então, a utilização desses valores, ou seja, essas potencialidades positivas, deve começar dos pais. Como diz o conceituado psicólogo Luiz Schettini, “temos de ser o que queremos ver nos nossos filhos”. Bem, com essas potencialidades desenvolvidas, os nossos filhos estarão mais seguros diante dos desafios que a vida irá impor, e aí, então, caminharão sozinhos e se tornarão pessoas felizes e independentes. Como diz Içami Tiba, no livro Quem ama educa, “os filhos são como navios, e os pais são como um porto seguro para eles até que se tornem independentes”. Apesar de querermos os filhos junto a nós, é preciso educá-los para navegarem sozinhos.


Nadar contra a corrente da massificação – A educação, neste mundo em que nos encontramos, é uma constante construção, é fazer com que nossos filhos descubram o valor da sua essência e possam valorizar a essência dos outros, mostrar-lhes que cada ser humano é único e que precisa se expressar e ter liberdade.


Claro que é uma tarefa difícil e desafiadora, mas, se existirem duas pessoas que tenham o mesmo ideal por amor, então fica mais fácil. É preciso saber que nos eternizamos através das marcas que deixamos nos outros, e as pessoas mais marcadas por nós são os nossos filhos, por isso queremos deixar marcas positivas, que possam levá-los a uma independência segura, ajudá-los a serem mais gente e seres humanos realizados. Sendo assim, eles também terão as mesmas preocupações com seus filhos, e os nossos netos serão, também, adultos felizes.

Patrícia Isabella

“Toda criança vem com a mensagem de que Deus não desistiu do homem.”

Tagore








quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"Vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida."
Fernando Pessoa

domingo, 15 de abril de 2007

O amor na visão de cada um

Definir o amor é algo difícil e rico de complexidade e que depende da visãode cada um.
Amar muitas vezes transcende as palavras, e mostra-se com atitudes, com gestos.
Então, refletindo um pouco sobre este tema descobri esta pesquisa nos meus arquivos.

O AMOR NA VISÃO DAS CRIANÇAS

"Amor" foi o tema de pesquisa feita por profissionais de educação e psicologia a um grupo de crianças entre 4 e 8 anos, nos EUA, e transcrito no jornal "O que é o amor?"

* Se você quer aprender a amar melhor, você deve começar com um amigo que você não gosta - Nikka, 6 anos

* Quando minha avó pegou artrite, ela não podia se debruçar para pintar as unhas dos dedos do pé. Meu avô desde então, pinta as unhas para ela, mesmo quando ele tem artrite - Rebecca, 8 anos

* Amor é quando uma menina coloca perfume e o menino coloca loção pós-barba, aí eles saem juntos e se cheiram - Karl, 5 anos

* Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente - Billy, 4 anos

* Amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela - Chrissy, 6 anos

* Amor é quando alguém te magoa, e você mesmo muito magoado não grita porque sabe que isso fere seus sentimentos - Samantha, 6 anos

* Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes para ter certeza que está do gosto dele - Danny, 6 anos

* Quando você fala para alguém algo ruim sobre você mesmo e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso. Aí você se surpreende, já que não só continuam te amando, como agora te amam mais ainda- Mathew, 7anos

* Há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de Deus, mas o amor de Deus junta os dois - Jenny, 4 anos

* Amor é quando mamãe vê o papai suado e mau cheiroso e ainda fala que ele é mais bonito que o Robert Redford - Chris, 8 anos

* Durante minha apresentação de piano, eu vi meu pai na platéia me acenando e sorrindo, era a única pessoa fazendo isso e eu já não sentia medo- Cindy, 8 anos

* Amor é quando você fala para um garoto que linda camisa ele está vestindo e aí ele a veste todo dia - Noelle, 7 anos

* Quando você ama alguém seus olhos sobem e descem e pequenas estrelas saem de você - Karen, 7 anos.

* Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro - Mary Ann, 4 anos

* Eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela me dá todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras - Lauren, 4 anos

* Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muitos amigos mesmo se conhecendo há muito tempo - Tommy, 6 anos

E você, como definiria o amor?

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Hoje estava pensando, qual o sentido da vida ou por que será estamos aqui? Paro e logo respondo, se não for para marcar os outros pelo bem, então não terá sentido a minha exixtência, pois é a partir daí que nos tornamos eternos, por isso, hoje quero ter comigo tudo que os outros deixaram em mim e assim eternizar as pessoas que mais amo. Lembro também de coisas boas que ficaram marcadas na memória e deve ter acontecido com você também, como:
  • Dormir na cama de pai e mãe;
  • Raspar a panela do brigadeiro;
  • Tomar banho de chuva;
  • Brincar de esconde-esconde;
  • Rir de mim mesma;
  • Dormir muito depois de um acampamento de 4 dias;
  • Conversar com uma amiga até de madrugada;
  • Ouvir "aquela música" no rádio, Quando menos se espera;
  • Receber um e-mail de alguém que nunca manda;
  • Abraçar;
  • Beijar;
  • Ouvir EU TE AMO;
  • Um bom filme;
  • Ouvir um elogio;
  • Se sentir bonita;
  • Dormir cheirosa;
  • Chocolate quente;
  • Surpresa agradável;
  • Lua;
  • Sarar de resfriado;
  • Uma festa;
  • Cantar para alguém dormir;
  • Historinhas que meu pai contava;
  • Saúde;
  • Mar;
  • Mata;
  • Cheiro de chuva;
  • Ver o seu time ganhar;
  • Água gelada;
  • Cheiro de bebê;
  • Serenata;
  • Falar com Deus só no coração, sem pronunciar uma palavra.

Existem muitas outras coisas que não vêm na mente, mas com certeza foram muito boas.

Como seria bom que nos momentos de tristeza nós pudéssemos lembrar ou realizar algo que nos fizesse bem.

Patricia Isabella

Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e à todos.
Deles depende a sua felicidade completa.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom, em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distância e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.

Charles Chaplin.

Pense nisso.